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Cirurgia Bariátrica reduz ou aumenta o risco de câncer?

Cirurgia Bariátrica reduz ou aumenta o risco de câncer?

A cirurgia bariátrica revolucionou a forma como se trata a obesidade, desde que a doença foi considerada uma questão de saúde pública. Além de ajudar a diminuir o risco de problemas cardíacos e metabólicos em pacientes com obesidade, os últimos estudos sugerem que o procedimento também pode reduzir as chances de um diagnóstico de câncer - apesar dos pesquisadores ainda não terem encontrado uma relação de causa e efeito.

De fato, a obesidade é um fator de risco para o câncer, já que as alterações hormonais, a inflamação do organismo e os maus hábitos que acompanham essa condição elevam as chances de tumor. Mas são necessários mais estudos para entender a associação entre a bariátrica e a redução no risco de câncer. 

A cirurgia bariátrica, aliás, não é uma só. Existem quatro técnicas diferentes reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM): Banda Gástrica Ajustável, Gastrectomia Vertical, Bypass Gástrico e Derivação Bileopancreática. A escolha do procedimento vai depender do peso e da saúde geral do paciente. Mas, independentemente da técnica, a indicação cirúrgica é baseada em quatro fatores: grau de obesidade, tempo de evolução da doença, tentativas de tratamentos anteriores e a presença de doenças associadas.

As técnicas têm em comum o isolamento de parte do estômago ou a redução da capacidade do órgão. Mas, afinal, o que acontece quando se grampeia o estômago deixando uma parte desse órgão sem uso? Essa foi a pergunta feita pelos cientistas nos últimos 10 anos. 

Em um dos procedimentos, o Bypass Gástrico, essa parte isolada fica em condições propícias ao desenvolvimento de tumores. E longe de ficar no marasmo, o estômago excluso cultiva uma intensa e nada benéfica atividade para o organismo. O Bypass Gástrico é, hoje, a cirurgia mais utilizada no tratamento da obesidade e antes de mais nada: não é preciso entrar em pânico. Os cirurgiões continuam garantindo que é uma técnica de inúmeras vantagens quando bem indicada. Segue sendo uma forma de combate ou controle de doenças crônicas como diabetes, infartos, AVCs e até mesmo o próprio câncer.

Acontece que o estômago excluído, após a cirurgia, não recebe mais alimento, de forma que enfraquece sua barreira de proteção e o deixa mais exposto a agentes agressores - inclusive a genes classicamente identificados ao câncer. Ou seja, a cirurgia pode promover uma reprogramação metabólica e genética do estômago excluso, mas o que efetivamente determina se o câncer vai ou não se instalar ainda não se sabe.

Podemos concluir, então, que a cirurgia bariátrica reduz o risco de tumores associados a alterações hormonais, mas pode aumentar o risco de câncer no intestino grosso e agora sabemos que também de câncer gástrico no estômago excluso. De toda forma, mais estudos são necessários para entender se outros fatores, como hábitos alimentares e estilo de vida, podem contribuir com esse “efeito colateral”. A recomendação, por enquanto, é que o paciente tenha um acompanhamento gastroenterológico após a operação.

Fonte: Medical Site

29 de Agosto de 2019