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A imunoterapia como tratamento para o câncer

A última década transformou o tratamento de tumores considerados “intratáveis” ou fatais, como o melanoma, por exemplo. Há dez anos, apenas um em cada 20 pacientes sobrevivia a um estágio avançado desse tumor. A morte era uma questão de - pouco - tempo. Hoje, o número de pacientes com sobrevida superior a 5 anos aumentou graças a terapias que visam fortalecer o sistema imunológico - métodos apoiados por grande parte da comunidade médica de oncologia. 

O melanoma é o tipo mais grave, mas menos frequente que outros tumores cutâneos. Se for detectado no início, há boas chances de sobrevivência, pois quando entra em fase de metástase, torna-se bastante agressivo, reduzindo drasticamente as taxas de sobrevida. A boa notícia é que os novos testes usando drogas imunoterápicas - criadas para melhorar o sistema imunológico e prepará-lo para atacar o câncer - indicam que pessoas diagnosticadas com melanoma em estágio 4 podem viver mais de cinco anos quando tratadas por imunoterapia. Para se ter ideia, as taxas de sobrevida subiram para 50%. 

O sistema imunológico frequentemente defende nosso corpo de invasores hostis, como vírus. Tecnicamente deveria atacar os tumores malignos também, mas o câncer é uma versão corrompida de tecido saudável que consegue driblar o sistema imunológico. O que as drogas imunoterápicas fazem é impedir que alguns tipos de câncer se escondam. Claro, ainda é preciso lidar com os efeitos colaterais - alguns severos o suficiente para que alguns pacientes não consigam completar o tratamento. Ainda assim, a imunoterapia oferece um benefício a longo prazo desde a primeira dose. O que não acontece com a quimioterapia, por exemplo, que para de funcionar no momento que o tratamento é interrompido. Entre os efeitos mais comuns, estão: fadiga, alergias na pele e diarreia.

Ainda não é possível falar em cura, já que este é um veredicto sempre difícil em quase todos os tipos de câncer, mas uma taxa de sobrevida de 5 anos é importantíssima. Alguns pacientes observados por médicos britânicos da Sociedade Europeia de Medicina Oncológica passaram por tratamento com drogas imunoterápicas e chegaram à remissão total do tumor. Outros ainda o conservam no corpo, mas o tumor já não cresce mais. Dos que sobreviveram, 3/4 não precisam mais de nenhum tratamento até o momento. O que já faz com que a imunoterapia valha muito a pena e já esteja sendo aplicada em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil por algumas instituições privadas.

Fonte: Medical Site

07 de Novembro de 2019